Em Busca de ‘Ohana (Finding ‘Ohana, 2021)

“Ohana quer dizer família”, diria o Stitch.

Com uma aventura de caça ao tesouro no melhor estilo “Os Goonies”, “Em Busca de ‘Ohana” é um filme maravilhoso, feito para despertar as crianças em nossos corações. Com 85% de aprovação no Rotten Tomatoes (aclamação de crítica e público!), o filme tem um pouco de tudo o que podíamos esperar: emoção, diversão, romance… e, é claro, muita aventura. Com referências a “Jurassic Park”, “Lost” e “Indiana Jones”, o filme me fez sorrir continuamente enquanto acompanhava a história de uma garota que queria encontrar um tesouro místico para salvar a casa do avô e ele não precisar se mudar para o Brooklyn com a família – o filme ainda tem um elenco bonito e talentoso em um cenário havaiano que me parece extremamente acolhedor e convidativo (e não tem como, “Ohana” sempre vai me fazer pensar em “Lilo & Stitch”).

O filme acompanha a pequena Pili, que já tem certa “experiência” em caças ao tesouro, e seu irmão Ioane, quando a mãe leva os dois para Oahu para uma visita ao avô, e é então que a aventura começa, e eu gosto de como o filme tem várias facetas. Ele tem uma parte familiar extremamente profunda e emocionante que fala sobre cultura e sobre o legado da família, que precisa ser mantido e respeitado; ele tem uma parte muito “A Montanha Encantada”, cheio de cavernas, segredos, passagens, descobertas (me senti lendo a nostálgica Coleção Vaga-Lume); e ele também tem uma parte mais mística e sombria quando os lapu são despertados no fim do filme e as crianças e os adolescentes precisam lidar com isso. São duas horas de filme que passam voando, e que nos deixam pensando que certamente voltaríamos para uma Parte II dessa aventura.

A discussão em relação à família e ao legado tem vários elementos: temos Leilani, a mãe de Pili e Ioane que deixou o Havaí quando o marido, Kua, morreu há mais de 10 anos, e então se mudou para Nova York; temos Pili, que pouco conhece sobre a cultura e a língua havaiana, porque pouco viveu naquele lugar; temos Ioane, que prefere ser chamado simplesmente de “I”, porque tem vergonha do seu nome e de todo o passado que deixou para trás quando se mudou para Nova York; e, é claro, temos Kimo, o avô de Pili, que não quer deixar a sua casa de modo algum, mas não tem dinheiro para pagar o que precisa ser pago. Por isso, Leilani e Kimo têm que tomar uma decisão: ou ele vai morar com eles no Brooklyn, ou ela vende o apartamento no Brooklyn para pagar as contas do pai e toda a família se muda para o Havaí. É uma história muito interessante.

Pili, por sua vez, é uma garota curiosa e que adora encontrar “tesouros escondidos”. É assim que ela descobre o diário de Monks, um antigo marinheiro do navio Peruano, que parece capaz de levá-la para um grande tesouro em uma montanha: e ela poderia até usar esse tesouro para ajudar o avô! Pili só entra nisso pela aventura, pela ânsia de um pouquinho mais de geocaching, mas acaba se interessando cada vez mais pela história do lugar e da família, e é assim que ela aos poucos vai se conectando com o seu legado e com o seu lar. Junta-se a ela, Casper, um garoto quase tão aventureiro quanto ela, talvez não com tanta experiência em geocaching quanto Pili, mas que certamente conhece mais do Havaí e dos lugares que eles vão visitar… e as cenas dos dois são FENOMENAIS. Ótimo diálogo, ótima dinâmica entre eles, vide a cena em que Pili sai dirigindo a caminhonete do avô.

Assim, Pili e Casper se metem em uma verdadeira aventura rumo ao desconhecido, nos proporcionando cenas perfeitas, como quando eles dublam as cenas que imaginam do passado (!), e Ioane acaba se juntando a eles porque precisa encontrar a irmã antes que a mãe descubra que ela desapareceu. Ioane é um personagem carismático: cheio de defeitos, cheio de momentos vergonha alheia, e bem chato com a irmã, mas, ainda assim, carismático. É legal ver a sua relação com Hana ao longo do filme (destaque para a cena em que ele canta Meghan Trainor para acalmá-la), assim como é incrível ver como ele aprende a se aproximar de Pili… afinal de contas, eles são irmãos e eles se amam, e eu acho que é meio natural que os irmãos estejam o tempo todo se provocando mesmo, não? Gostei muito daquele grupo formado por Pili, Casper, Ioane e Hana.

Toda a sequência da caça ao tesouro é divertida e digna de “Sessão da Tarde” – consigo imaginar meu eu mais novo numa tarde chuvosa, comendo pipoca e adorando cada segundo daquela sequência toda. É divertida, é convincente, é bem elaborada e nos entrega ótimos momentos dos personagens que já aprendemos a amar. Também vale ressaltar que Casper e Ioane têm ÓTIMOS e HILÁRIOS momentos juntos. E eles são guiados pela alma aventureira e inteligente de Pili, que os leva até o tesouro, eventualmente, mas um tesouro com o qual eles não podem ficar, porque a caverna é sagrada e o túmulo de alguém importante do passado. Então, eles precisam deixar todo o ouro para trás, depois de terem se divertido um pouco com ele por ali, e ir embora para que Ioane possa cuidar da mão que foi picada por uma aranha venenosa… adorei a sequência da cachoeira.

Eventualmente, então, o filme entra em sua parte mais sombria – o clímax do filme acontece quando descobrimos que Pili acabou levando um pouco do tesouro para fora da caverna em sua mochila, apenas para poder ajudar o avô, e então o grupo é cercado pelos Cavaleiros com tochas azuis que cuidam da caverna sagrada, e o momento acaba sendo muito mais emocionante do que podíamos prever, porque um desses cavaleiros é Kua, o marido de Leilani, pai de Pili e Ioane: agora um espírito cuidando do legado da família. É um momento belíssimo em que ele se coloca em frente a eles, e os quatro se abraçam, proporcionando o que deve ser o momento mais emocionante de todo o filme… antes de ir embora e levar os demais cavaleiros consigo, Kua recebe a promessa de Pili de que nunca mais vai fazer isso… e é uma importante lição que ela aprendeu.

O fim do filme é bonito. Leilani, pela primeira vez em anos, se senta com Kimo, Pili e Ioane para que possam decidir juntos o que eles farão, e nós sabemos a escolha dos irmãos: eles vão querer continuar no Havaí. É bonito, esperançoso e emocionante – adorei até os créditos finais do filme, com a música e as fotos nas redes sociais, mostrando um pouquinho da vida que a família agora está levando no Havaí… não sei se há alguma sequência prevista, e pensei muito em “Crônicas de Natal” nesse final, achando que um segundo filme provavelmente não conseguiria atingir a perfeição e a emoção de uma história que foi planejada para funcionar sozinha; de qualquer maneira, não me incomodaria de voltar a ver esses personagens e esse cenário, e ainda que acredite que uma sequência inevitavelmente não será tão boa quanto o primeiro filme, “Em Busca de ‘Ohana 2” certamente ainda seria uma delícia de acompanhar!

Quem sabe?

 

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